Embarque
Na Ultima Cabine
Um dia eu fiz uma viajem. Posso dizer que foi a melhor
viajem da minha vida! Sabe quando você viaja para algum lugar e nunca mais quer
voltar? Então, eu fiz uma viajem assim.
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Não me lembro a minha idade, mas sei que era muito jovem, também não lembro o ano, nem o dia e nem o mês em que a fiz, mas isso não a faz menos importante. Era um dia qualquer, para uma pessoa qualquer. Não me lembro da minha casa, nem da vizinhança e muito menos de mim mesma. Eu era apenas mais uma criança entre bilhões no mundo inteiro, mais uma criança que faria essa encantadora viajem. “Quando as coisas são importantes para a gente, nos lembramos delas não importa qual seja a nossa idade.” Eu ouvi isso uma vez, eu concordo com ela (mesmo eu pensando que nosso nascimento, nossos primeiros passos e palavras faladas sejam importantes e nós não nos lembramos delas). Com toda certeza, pensando bem, eu devia de ter uns quatro ou cinco anos de idade. Na verdade, essa viagem começou muito mais cedo só que eu não estava pronta para o embarque, pronta para deixar a minha casa. Algumas crianças embarcaram mais tarde que eu e outras mais cedo e alguns embarcam quando são adultos. Sim, isso vem de nós. Cada um sabe a hora em que deve partir, quando está pronto para a grande aventura...
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Não me lembro a minha idade, mas sei que era muito jovem, também não lembro o ano, nem o dia e nem o mês em que a fiz, mas isso não a faz menos importante. Era um dia qualquer, para uma pessoa qualquer. Não me lembro da minha casa, nem da vizinhança e muito menos de mim mesma. Eu era apenas mais uma criança entre bilhões no mundo inteiro, mais uma criança que faria essa encantadora viajem. “Quando as coisas são importantes para a gente, nos lembramos delas não importa qual seja a nossa idade.” Eu ouvi isso uma vez, eu concordo com ela (mesmo eu pensando que nosso nascimento, nossos primeiros passos e palavras faladas sejam importantes e nós não nos lembramos delas). Com toda certeza, pensando bem, eu devia de ter uns quatro ou cinco anos de idade. Na verdade, essa viagem começou muito mais cedo só que eu não estava pronta para o embarque, pronta para deixar a minha casa. Algumas crianças embarcaram mais tarde que eu e outras mais cedo e alguns embarcam quando são adultos. Sim, isso vem de nós. Cada um sabe a hora em que deve partir, quando está pronto para a grande aventura...
Eu estava no sofá – ou era na cama? – eu via meu pai, via
minha mãe e via meu irmão. Meu pai tinha alugado um filme para nós vermos
naquela noite. Não era um CD para um aparelho em DVD ou sei lá o que mais as
pessoas hoje em dia usam para assistir filmes, era um Videocassete VHS (tinha
várias outras, mas a que usávamos era essa). VHS é uma sigla para “Video Home
System” (Sistema Doméstico de Vídeo em português), que surgiu em volta de 1976
feitos pela JVC. Com fitas ½ polegada. O Videocassete esteve no auge até a
entrada do DVD em 2002. DVD era muito caro, então poucos tinham eles e então a
maioria da população brasileira continuou com as suas VHS, assim como a minha
família. Enfim, a fita que meu pai tinha alugado era o meu passe de trem para a
viagem. Não me lembro de ter olhado a capa da fita tanto ao ponto de gravá-la –
tirando o fato de que a tenho gravada em minha mente hoje -, mas eu via um
garoto nela e meu pai falava “Harry Potter”, deduzir ser o nome do filme. E no
minuto em que meu pai colocou a fita no videocassete a minha viajem estava
apenas começando...
Olhar e pensar na minha infância e de como aquela fita VHS/mudou-a
me faz ficar um pouco nostálgica. Ver Harry Potter e a Pedra Filosofal como eu
disse antes, era apenas o passe da longa viajem de trem que eu faria. E assim
foi o começo da melhor viajem da minha vida.
Finalmente eu tinha chegado à
estação de Kings Cross e na Plataforma 9/4, Expresso de Hogwarts eu embarquei.
Não foi fácil chegar até a estação de King Cross, tive muito trabalho.
Depois de assistir aos filmes eu
fiquei maluca por eles, pelos personagens, pelo mundo mágico. Eu lembro-me de
estar no jardim de infância, tinha por volta de cinco ou seis anos de idade, e
brincar de ser uma bruxa. Uma bruxa que estudava na Escola de Magia e Bruxaria
de Hogwarts, junto de Harry, Rony e Hermione. Aquele era um mundo apenas meu,
onde meus colegas não faziam idéia do que era a Hogwarts ou Harry Potter. E eu gostava assim, adorava saber de uma
coisa que os outros não sabiam. Uma das coisas que mais gostava de fazer – e
ainda faço – era desenhar. Eu sempre estava na mesinha da minha sala, com uma
folha branca e vários lápis de cores jogados em cima da mesa. Minhas
professoras às vezes sentavam com a gente na mesa e desenhavam conosco. E em
uma daquelas vezes em que eu fiquei sentada desenhando, minha professora olhou.
Não me lembro de seu nome. Julia? Eu realmente não me lembro, então vou
chamá-la de Julia. A professora Julia viu o meu desenho, disse que ficou muito
bonito e me perguntou oque que era. Respondi que era uma vassoura, uma vassoura
igual à de Harry Potter – hoje em dia eu a chamaria de Nimbus 2000.
Lembranças como estas estavam
guardadas em minha mente, apenas para mim e eu nunca dividi elas com ninguém.
Essas lembranças são uma daquelas que eu citei no começo do texto, são
lembranças importantes que não importa a sua idade você vai lembrar-se delas.
Eu aprendi a ler com sete anos de
idade e isso era irritante para mim. Eu tinha de ser a primeira da turma, a
saber, ler, mas não fui. Tinha acabado de entrar para o Ensino Fundamental e
não tinha coisa melhor! Sempre fui uma CDF ou uma Nerd assumida. Na minha
escola tinha uma biblioteca – como todas as escolas – e eu gostava de ir nela.
Era interessante fazer algo que não seja pular ou correr. Não que eu não fosse
uma criança normal, longe disso, passei a maior parte da minha infância
correndo, pulando e brincando na rua. Ela era demasiada pequena pensando nela
agora, mas tinha livros grossos por todo lado. Não me interessei por nenhum
deles, eram grandes e não tinham figuras! Até que um dia olhando a prateleira
dos livros infantis, eu vi um livro que me chamou a atenção. A primeira
impressão que ela te da é que é alaranjada, mas não é. Nela mostrava arcos nas
paredes de Hogwarts e Harry voava por elas, escrito em verde e com relevo na
parte de cima estava Harry Potter e na parte de baixo o nome da autora J.K
Rowling. Quando li o titulo fiquei muito entusiasmada, era o livro de Harry
Potter! Eu o lia no intervalo das aulas, todos os dias.
Eu estava dentro do Expresso de
Hogwarts. Ele estava lotado, não tinha nenhuma cabine sobrando. Espera, tinha
uma. Ela ficava lá no fundo do trem e eu fui até ela. Estava nervosa, era meu
primeiro ano ali e eu já sabia de tudo. Desde a história de Hogwarts, até a
história do famoso Harry Potter. Lá dentro da cabine tinha dois garotos, um era
ruivo e o outro tinha cabelo preto e usava óculos. Perguntei se poderia sentar
ali, já que o trem estava lotado. Eles disseram que sim, e então que a melhor
viagem da minha vida realmente começou.
A minha viajem durou anos e eu
tive várias aventuras junto de meus melhores amigos de Hogwarts. No meu
primeiro ano nós achamos a Pedra Filosofal, no segundo ano nós abrimos a Câmara
Secreta, no terceiro ano encontramos O Prisioneiro de Azkaban, no quarto fomos
escolhidos pelo Cálice de Fogo, no nosso quinto ano lutamos junto da Ordem da
Fênix, no sexto anos desvendamos o Enigma do Príncipe e no nosso ultimo ano em
Hogwarts nós descobrimos as Relíquias da Morte. E o melhor de tudo isso é que
eu posso reviver esses momentos toda vez quando abrir meus livros ou vir os
filmes.
Então, se você quer fazer os anos
da sua infância – adolescência, fase adulta e terceira idade – valerem à pena?
Quando estiverem embarcando procurem a cabine do Potter e do Weasley.

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